SOCIALIZAÇÃO X ISOLAMENTO: entendendo como cuidar da sanidade

SOCIALIZAÇÃO X ISOLAMENTO: entendendo como cuidar da sanidade

Estamos vivendo uma experiência enquanto humanidade sem precedentes: a pandemia do Corona Vírus. E com ela uma avalanche de mudanças de rotina, inclusive a diretriz da quarentena que nos priva da socialização e nos coloca em isolamento como medida preventiva e de contenção da proliferação do vírus e também do número de casos positivos, sejam eles com ou sem sintomas.

Isto de fato tem mexido com o emocional de todos nós, seja pelo fato de nos depararmos com as incertezas do não saber como lidar com este contexto, o não saber o que estará por vir, quando passará, dimensão dos impactos, seja porque nos leva a quebrar paradigmas relativos ao planejamento, uso do tempo, formas de trabalho, relacionamento com nós mesmos, os outros e o mundo. Uma verdadeira revolução para todos nós enquanto humanidade.

IMPACTOS DO ISOLAMENTO

Pois bem, aproveitando este contexto, resolvi falar sobre o que acontece neste contexto em que temos nossa liberdade de ir e vir limitada por motivo de força maior e saúde pública. Segue abaixo alguns pontos que você pode já estar sentido na pele ou ainda não, mas pode estar percebendo em algumas pessoas à sua volta neste período de quarentena:

  1. Aumento da ansiedade: que pode ser sentido pelo aumento de ruminação mental, agitação motora, problemas de sono (insônia), e outros sintomas;
  2. Aumento de comportamentos compulsivos: muitos passam a comer mais, beber mais, jogar mais, usar mais substâncias e mesmo comprar mais, como forma de usar o tempo, gerar alívio às emoções desagradáveis, incertezas, medos, ou mesmo extravazá-las;
  3. Aumento de pensamentos e comportamentos obsessivos: como nosso contexto nos exige maior rigor com a higiene pessoal e de ambientes, muitas pessoas passam a ter comportamento exagerado de extrema preocupação com limpeza, organização, medo de contágio, medo de morte entre outros pensamentos obsessivos relacionados a danos e doenças;
  4. Elevação dos fatores de estresse: muitas pessoas percebem mais fatores estressores por conta desta restrição forçada de trânsito/liberdade e isto contribui para mudanças e oscilação de humor. Os principais fatores de estress são: tempo de isolamento indeterminado, medo de contágio, frustração, tédio, perda de rotina, redução da socialização presencial, diminuição do contato físico, medo de faltar suprimentos, perda de renda, incertezas;
  5. Negação: vemos nitidamente em pessoas que se negam a perceber a gravidade da situação, expondo-se ou expondo às pessoas em volta, sem tomar os devidos cuidados orientados pela ANVISA e Ministério da Saúde. Vemos, por exemplo, muitos casos de idosos querendo manter a rotina de antes, sair de casa, ignorando ser o grupo de risco, mais sensível ao contágio;
  6. Raiva: muitas pessoas apresentam esta emoção mais a flor da pele, evidenciando seja por comportamentos mais agressivos verbais, intelorência, impaciência, explosividade. A Raiva também revela uma não aceitação do contexto e uma luta consciente ou não para fazer algo para solucionar ou mesmo resgatar o status quo anterior a tudo isso. É uma enervia de luta, sobrevivência, proteção à flor da pele que se evidencia através da raiva de formas diversas;
  7. Tristeza: há pessoas que já se conectaram mais com esta emoção pelo sentimento de impotência, de não sentir seu poder de ação frente ao contexto, de não saber lidar com as incertezas, e por se conectarem com a dor do outro, a dor do mundo, de toda a humanidade.
  8. Oscilação de humor: muitas pessoas ao longo de um dia podem apresentar neste período de isolamento bastante oscilação de humor (alegria, tédio, raiva, tristeza, etc). Isso por conta do processo de mudança de rotina forçada, restrição de liberdade de trânsito, limitação do espaço e restrição da socialização. O fato é que o isolamento nos coloca de frente com várias porções nossas que no dia a dia por estarmos ocupados(as) não prestamos atenção e/ou nos distraímos de dores e medos que não queremos sentir, mas que agora temos tempo e espaço para acessar tudo isso;
  9. Mudanças no apetite: pela mudança de rotina, ficar em casa e muitas vezes não saber o que fazer para ocupar o tempo e seu mental, você pode sentir mais ou menos vontade de comer. É preciso ficar atento para não gerar problemas de saúde e mesmo tornar uma compulsão;
  10. Confusão mental: algumas pessoas podem apresentar este comportamento fruto da exposição demorada aos fatores estressores, mas o que vemos de mais imediato é a alta exposição a avalanche de notícias e fake News, tirando delas o senso de precisão x realidade, perda da confiança nas fontes de informação, confusão e em casos mais graves pode levar à perda de noção da realidade;
  11. Perda da noção de tempo: algumas pessoas com o passar dos dias podem se sentir perdidas em relação a dia da semana, horários, trocar turnos por conta da quebra de rotina e isolamento forçados. Isto demanda atenção para não gerar processos de desconexão mais graves e mesmo dissociativos;

ESTRATÉGIAS DE BEM ESTAR, PREVENÇÃO E PROMOÇÃO DE SAÚDE

Agora que já sabemos o que pode acontecer quando temos nossa socialização reduzida e somos submetidos a um período longo de isolamento social, como o que estamos vivendo de quarentena, podemos sim pensar em como trabalhar para manter nossa sanidade mental, nossa saúde psicoemocional. Sim é possível e devemos totalmente focar em estratégias de promoção de saúde e prevenção frente a todo este contexto incerto e estressor. Confira abaixo que podemos fazer para cuidar da sua saúde mental e psicoemocional neste contexto, para atravessar ele com menor impacto negativo possível:

  1. Pratique as estratégias de higienização pessoal e de ambientes, assim como de isolamento. FIQUE EM CASA;
  2. Resiliência: praticar a resiliência é trazer o olhar de curiosidade, do que se pode aprender com tudo isso que estamos vivendo, com todos os desafios diários físicos, psicoemocionais, materiais, etc. Ser resiliente é acolher o contexto que estamos vivendo, olhar para o que pode ser feito no momento, com os recursos disponíveis e promover a fé, a confiança de que tudo passará, aceitando o momento como eles se apresenta de forma ativa;
  3. Praticar atividade física: fazer exercícios em casa é muito importante para movimentar nosso corpo, trabalhar toda nossa química cerebral e ativar todos os processos fisiológicos. É uma atividade de alto impacto na promoção de bem estar e redução do estresse mental e físico, para combater a letargia que podemos sentir neste período de isolamento;
  4. Estruture uma nova rotina: procure manter seus horários de refeição, sono como antes, estabeleça um horário para seu trabalho remoto, estabeleça até 5 ações/tarefas para seu dia de modo a dar foco. Faça isso tanto para você como para seus familiares e filhos. Isto ajuda e muito a diminuir a sensação de incerteza, de estar perdido ou à deriva, de confusão mental com o passar dos dias de isolamento, por manter seu relógio biológico minimamente orientado;
  5. Restrinja o volume de informações: especialmente quanto ao que você assiste nos noticiários de tv, internet, redes sociais, e ao que recebe de parentes e amigos. Evite esta avalanche de noticias e escolha 1 canal oficial para informar-se apenas 1 vez ao dia. Isto ajuda a diminuir a ansiedade, a perda de confiança pela imprecisão das informações e a prevenir confusão mental e desconexão da realidade. Lembre-se que você se manter 24h ligado e informado não vai fazer você resolver ou sair da situação mais rapidamente. Só contribuirá para sua exposição a mais fatores estressores;
  6. Desligue o celular e todas as notificações de texto e sonoras: fazer isto contribui e muito para a redução de hiper vigilância, estado de alerta por esperar novas notícias, comunicações, e eleva sua presença e seu foco ao se concentrar no que você pode fazer no aqui e agora, sozinho ou com familiares;
  7. Conecte-se e consuma conteúdos positivos: leituras, vídeos, filmes, desenhos animados, músicas, podcasts, séries que nos façam desfrutar da melhor forma nosso tempo, com sentido, nos fazendo sentir que valeu a pena dedicar nosso tempo à aquela atividade e nos preencheu de sensações e informações boas, produtivas, tornando nossa experiência de isolamento mais leve. Foque em conteúdos que proporcione bem estar físico, mental, psicoemocional, espiritual;
  8. Pratique atividades manuais, artesanatos e arterapia: praticar atividades manuais é uma excelente estratégia de meditação ativa, ou seja, de fazer você direcionar seu tempo, energia e foco em algo produtivo e que faz você estar presente, com sua atenção focada, combatendo ansiedades, pensamentos negativos, pessimistas e fazendo bom uso do seu tempo de isolamento;
  9. Conecte-se!: o isolamento social forçado é apenas presencial, não total! Você pode e deve se manter conectado com familiares, amigos, utilizando plataformas e apps de vídeo (whatsapp, Skype, zoom, hangout), fazer lives nas redes sociais(instagram, facebook) para se conectar com as pessoas, compartilhar e receber algo de positivo desta experiência (boa música, orações, meditações, atividades físicas, dançar, mensagens reflexivas positivas, etc). Você pode e deve se manter conectado online para manter este senso de pertencimento e partilha com todos;
  10. Organização com sentido: se for para colocar em prática seu senso de limpeza e organização, então procure um motivo positivo para fazer, como mudar disposição de móveis e objetos de lugar, separar o que doar e o que descartar, dar novos sentidos aos objetivos ou mesmo customizá-los para novos usos. Enfim, faça isso como uma estratégia de promoção de bem estar, prazer, ressignificação, e não para potencializar seus medos e obsessões;
  11. Aprenda e desenvolva-se: aproveite este tempo para aprender novas técnicas, conhecimentos e desenvolver novas habilidades a partir de cursos onlines gratuitos ou não disponíveis pela internet. É uma estratégia também de bom uso do tempo, assim como manter seu cérebro em atividade e com foco;
  12. Peça ajuda: ao invés de se arriscar saindo para comprar o que precisa, peça ajuda a parentes e amigos; Este recado é especialmente para os idosos e grupo de risco mais sensível ao contágio. Se expor não vai resolver seu problema, só piorar. Quebre este automatismo de querer resolver tudo por conta própria e sozinho(a). Tem várias pessoas que estão aí para ajudar você, mas é preciso você querer e permitir-se se ajudado. Isto vale também para buscar ajuda profissional, por exemplo, buscar a psicoterapia online neste período como medida preventiva e de promoção de saúde mental e psicoemocional para atravessar este momento. Permita-se ser ajudado;
  13. Foque em atividades prazerosas: elas ajudam a promover maior bem estar, tornar mais leve seu período de isolamento, liberando hormônios do prazer no seus sistema;
  14. Ajude o próximo: isso você pode fazer de várias formas, seja se colocando disponível para comprar itens de necessidade pessoal e levar até sua porta, escutar o outro genuinamente, de forma empática e ativa, dar palavras de incentivo, manter-se emocionalmente e virtualmente conectado com ele(a) exercitando o apego, pertencimento, afeto, conexão de forma genuína, compartilhando de forma positiva esta temporada de quarentena. Ajudar o outro e ser ajudado gera um grande bem estar físico e psicológico;
  15. Seja criativo!: coloque sua criatividade em ação para pensar em diferentes atividades, criar brincadeiras, novos objetos, produzir artisticamente (escrever, compor, pintar, esculpir, encenar, etc) para fazer bom uso do seu tempo e promover muito bem estar físico e psicológico.

Espero que este texto possa ajudar você a atravessar de forma mais leve, presente, confiante, ativa este período de isolamento que a quarentena está nos impondo. Que você possa voltar seu olhar para o que há de positivo em tudo isso, aprendizados, oportunidades, criações, inovações, reflexões, conexões entre outros aspectos que podemos levar conosco para contar muitas histórias depois que tudo isso passar. Conte comigo e com todos à sua volta!

Para ampliar sua leitura sobre o assunto, confira os links abaixo:

https://cristianonabuco.blogosfera.uol.com.br/2020/03/24/os-impactos-psicologicos-da-quarentena-e-como-reduzi-lo/

http://www.periodicos.usp.br/reeusp/article/download/129784/126368

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-74092015000200006

https://visaemdebate.incqs.fiocruz.br/index.php/visaemdebate/article/view/266

 

AUTOCONHECIMENTO: o impacto na prática

AUTOCONHECIMENTO: o impacto na prática

Ouvimos diariamente o quanto é importante investir no autoconhecimento por diversos motivos, especialmente quanto à promoção de desenvolvimento, aprendizados e melhoria contínua. Mas qual impacto do autoconhecimento na prática? Vamos falar sobre este tema hoje.

CAMINHOS PARA O AUTOCONHECIMENTO

Podemos promover o autoconhecimento por diversos caminhos e estratégias: leituras, vídeos, podcasts, fazer terapia, retiros, meditação, coaching, alimentação, atividade física, atividades e vivências em grupo, trabalho, voluntariado, socialização, relacionamento, hobbies, espiritualidade. Todos estes caminhos permitem você ampliar sua visão e refletir sobre quem você é, o que tem feito, suas realizações, suas conquistas, qualidade de vida, realizações, sua saúde de forma integral.

Perdas e fracassos também são caminhos de autoconhecimento, ainda que muitos de nós resistamos lidar, enfrentar, acolher estes momentos como vias de aprendizados. Até porque nossa sociedade reforça muito a importância do trabalho, das conquistas materiais como caminhos para o sucesso e realizações. Mas você já parou para pensar o que é sucesso e realização para você? E que o trabalho faz parte da nossa vida? Você vive para trabalhar ou trabalha para viver ?

AUTOCONHECIMENTO NA PRÁTICA

Mas como é possível vivenciar o autoconhecimento na prática. Vamos a alguns exemplos dentro do que sinalizamos mais acima como caminhos de autoconhecimento.

AUTOCONHECIMENTO ATRAVÉS DA LEITURA, VÍDEOS E PODCASTS

Cada livro que lemos, cada artigo, reportagem que entramos em contato, se mostra como uma ferramenta de aprendizado e melhoria contínua. Talvez sejam os livros, assim como vídeos, podcasts as ferramentas mais acessíveis para promoção de autoconhecimento, por encontrarmos diversos destes materiais gratuitos ou mesmo a baixo custo.

Eles nos permitem ampliar nossa visão relação à nossa realidade, interna e externa, tanto em relação a nós mesmos, nosso estilo de vida, nossa prática profissional, como nos posicionamos no mundo, os grupos que fazemos parte, em relação ao mundo que fazemos parte, sociedade, o quanto estamos de fato contribuindo para melhorias e como ativamos nosso poder de ação no dia a dia com nós mesmos e com as pessoas à nossa volta para promover transformações.

São doses de reflexão que permitem você se perguntar “quem eu sou? O que eu quero ser? O que estou fazendo? Como estou fazendo? Como posso mudar, transformar a mim mesmo(a) e meu raio de ação? Como posso contribuir mais junto às pessoas da minha comunidade sendo quem sou, através do meu trabalho ou outra forma de agir no mundo?

AUTOCONHECIMENTO ATRAVÉS DA PSICOTERAPIA

Fazer terapia é uma rica jornada de autoconhecimento. É fazer a escolha de conhecer a si mesmo como ferramenta de transformação. Fazer terapia é abrir-se para acolher vulnerabilidades, aprender com elas, superá-las, bem como conhecer suas forças pessoais e o que você pode fazer através de tudo isso, como você pode ativar  seu poder de ação para ser uma pessoa melhor e ajudar às outras à sua volta, assim como sua comunidade, natureza, política, economia.

Fazer terapia é um ato político e social, que parte do individual para o coletivo. Você pode fazer terapia individual ou em grupo. Seja qual for a metodologia, proporcionará muitos aprendizados a partir de sua jornada, quedas e vitórias, assim como ao se abrir para as histórias dos que estão à sua volta, ao escutar ativa e genuinamente o outro, suas dores, suas vulnerabilidades, conhecer suas fraquezas e fortalezas, assim como seus aprendizados e ressignificações de jornada.

Definitivamente, e quebrando o tabu que ainda existe em pleno 2020, TERAPIA É PARA TODOS,  e não somente para quem sofre de alguma doença, transtorno ou distúrbio psicoemocional, psiquiátrico. Permita-se este caminho de autoconhecimento e transformação.

AUTOCONHECIMENTO ATRAVÉS DO COACHING

Fazer um processo de coaching é uma estratégia muito rica e prática de autoconhecimento, porque esta metodologia provoca você o tempo todo refletir para entrar em ação. Refletir de diversas formas, mas sempre tendo em mente um objetivo específico a ser alcançado de modo a direcionar seu poder de ação para realizar mais e melhor, com assertividade rumo aos resultados que está buscando.

As sessões de coaching sempre tem um caminho de reflexão, busca de sentido e motivos para entrar em ação, e alavancagem, ou seja, direcionar em forma de ações, passos estruturados o que você refletiu antes para se aproximar do que está buscando.

O coaching, assim como a psicoterapia, promove o desenvolvimento de habilidades e funções executivas, como tomada de decisão, e resolução de problemas, conduzindo você a ser, viver, realizar, alcançar, conquistar alinhado com o que você acredita, seus valores, sua visão de mundo.

AUTOCONHECIMENTO ATRAVÉS DA ALIMENTAÇÃO

Alimentar-se de forma saudável é também um caminho de autoconhecimento. Isto porque cada indivíduo é um sistema parte de um todo, mas com necessidades específicas.

Comer bem e saudável é um processo continuado de escolhas. Ele faz você aprimorar também seus processos de tomada de decisão, reforçando os motivos que levam você a uma alimentação saudável.

Há pessoas que escolhem comer bem e saudável para viver mais e melhor, outras por motivos estéticos, outras para se sentirem mais energizadas e terem alta performance, outras para lidarem com enfermidades crônicas e autoimunes. Não importa o seu porquê, o fato é que para você tomar a decisão de comer bem e saudável, você precisa se conectar com seus motivos, com o sentido de fazer sua escolha e transformação diária a partir da sua alimentação.

AUTOCONHECIMENTO ATRAVÉS DA ATIVIDADE FÍSICA

A atividade física é uma verdadeira jornada de autoconhecimento que faz você entrar em contato com seus limites, com a sua motivação ou falta dela, motivos para viver mais saudável, desenvolver resiliência física e psicoemocional ao lidar com os altos e baixos que temos ao longo de uma jornada de treinos e pausas, seja por qual motivo for.

Do mesmo modo que a alimentação, pessoas decidem praticá-las por diversos motivos: promoção de saúde e bem estar, energia para melhor performar, melhorar resistência e imunidade frente a enfermidades crônicas e autoimunes, viver mais e melhor. E de novo repito: seja qual for o seu motivo, fazer uma atividade física também envolve escolhas, tomar decisões diariamente e se conectar com seus motivos para ser, fazer, realizar e conquistar o que se propõe, alinhado aos seus valores e estilo de vida que está buscando.

AUTOCONHECIMENTO ATRAVÉS DE VIVÊNCIAS EM GRUPOS E SOCIALIZAÇÃO

Participar de grupos, sejam eles terapêuticos, retiros, atividades culturais, atividades artísticas, atividades físicas, intelectuais e de aprimoramento técnico, entre outros, é uma rica jornada de autoconhecimento através do compartilhar de experiências, ideias, talentos, habilidades e conhecimentos.

É uma forma de conhecer a si e aos outros, promover conexões afetivas, vínculos, empoderamento que só o convívio social nos proporciona, a partir dos relacionamentos que estabelecemos.

É fundamental lembrarmos e termos sempre em mente que somos seres sociais, e isto quer dizer que para sermos enquanto indivíduos precisamos uns dos outros. Nos reconhecemos enquanto semelhantes e diferentes em muitos aspectos que constroem e fortalecem nossa identidade.

AUTOCONHECIMENTO ATRAVÉS DO TRABALHO

O trabalho também é uma rica ferramenta de autoconhecimento. Quando fazemos uma escolha profissional, muitas pessoas buscam uma profissão conectando seus interesses pessoais com conhecimentos das disciplinas, habilidades comportamentais e técnicas, assim como outras tantas escolhem considerando o reconhecimento de determinadas áreas pelos seus familiares, amigos, pares, relevância no meio. O fato é que seja pelo caminho que for, toda escolha profissional fala de nós, de quem somos, dos nossos valores, necessidades emocionais, necessidades materiais, causas que nos conectamos entre outros motivos. E isto muda ao longo da nossa vida, das nossas transformações, vitórias, perdas, fracassos,  que nos servem como oportunidades de reflexão, reconexão com nossos valores e essência e ressignificação da nossa vida e carreira.

É importante lembrar que o trabalho também nos proporciona espaço para exercício de contribuições sociais, diretas ou indiretamente, de ajudar pessoas diretamente com nossas habilidades e talentos, ou mesmo através do próprio negócio, empregando pessoas, levado soluções, produtos, inovações, transformando a sociedade e o meio ambiente.

AUTOCONHECIMENTO ATRAVÉS DO VOLUNTARIADO

O voluntariado nos permite aprender com o ajudar do outro, de quem mais precisa. Aprender com o fazer no social, com a promoção de bem estar e saúde para o outro, de inclusão social, promoção de dignidade à vida, respeito, desenvolvimento de habilidades e conhecimento por uma iniciativa, escolha, decisão de exercer sua contribuição social a partir de projetos e causas específicas.

Estas ações provocam ampliação de visão de mundo, transformações em sentidos de vida, ressignicações, desenvolvimento de empatia, escuta ativa, acolhimento, contato com o que é essencial à vida, com o que realmente importa, a partir desta jornada de colocar-se disponível para ajudar o outro.

Além disso, fazer voluntariado é um ato político e social, de colocar seu poder de ação diretamente na prática, no seu raio de ação, para superar desafios e lacunas que existem na nossa realidade sócio-político-econômica, de assumir responsabilidades e colocar-se como cidadão ativo no mundo.

AUTOCONHECIMENTO ATRAVÉS DA HOBBIES

Fazer uma atividade de hobby é um caminho de autoconhecimento através da criatividade, do lúdico e sem expectativas de retornos materiais. Alguns até transformam hobbies em trabalho ou mesmo empresas, mas quando falamos de praticar um hobby, falamos de decidir fazer algo diferente da sua rotina de trabalho, doméstica, e que permita você se conectar com o que gosta de fazer, interesses, desenvolver novas habilidades aprimorar sua expressão, comunicação, relacionamento, capacidade cognitiva, motora, socialização entre outros aspectos.

Você pode fazer um hobby ligada às áreas artísticas, esportivas, gastronomia, criação e inovação, natureza e meio ambiente. Não  importa qual for, você terá oportunidade de se conhecer ainda mais, reduzir o impacto do estresse e rotina na sua vida, melhorar sua regulação emocional, ampliar suas estratégias de lazer, diversão, desfrute, bem estar e qualidade de vida.

AUTOCONHECIMENTO ATRAVÉS DA ESPIRITUALIDADE

A espiritualidade é uma dimensão de nós seres humanos que precisamos praticar, cultivar tão quanto as outras (social, biológica, psicológica e cultural). É uma dimensão que nos faz entrar em contato com o sentido de nossas vidas, quem somos, nossos valores, construção de identidade, por que e para que fazemos o que fazemos diariamente.

Podemos praticar autoconhecimento através da espiritualidade dentro e fora de templos, participando ou não de egrégoras e religiões. Não existe um formato “standard” para se cultivar a espiritualidade. Existem caminhos diversos, tanto individuais como em grupo, que nos provocam reflexões existenciais sobre SER, EXISTÊNCIA, PROPÓSITO, FÉ, VIDA, MORTE entre outros aspectos que nos mobilizam a pensar, mudar e transformar a nós mesmos, nosso microcosmos, provocar mudanças nos outros, no mundo, ao longo da nossa jornada de vida.

Muito bem, deu para ver com é o autoconhecimento na prática? Como ele pode acontecer por inúmeros caminhos? O fato é que todo processo de autoconhecimento tem grandes impactos na mudança de vida, promoção de saúde integral, bem estar e qualidade de vida, assim como pessoas mais felizes consigo mesmas, mais realizadas com seus trabalhos, seus relacionamentos, suas escolhas e atuando como cidadãs efetivas em suas comunidades e grupos.

Então, comece agora mesmo, escolha 1 caminho que para você faça sentido neste seu momento de vida e permita-se. Tenho certeza que valerá a pena e terá muitas histórias e aprendizados para compartilhar muito em breve!