Esquema de ISOLAMENTO SOCIAL: características

Esquema de ISOLAMENTO SOCIAL: características

O psicólogo e autor da abordagem da terapia do esquema, Jeffrey Young, mapeou até o momento 18 esquemas emocionais, a partir dos seus estudos, pesquisas com colaboradores e vivência clínica. Como se trata de uma abordagem em psicoterapia bastante recente (a partir de 1990), os estudos continuam sendo feitos, publicados e atualizados na comunidade científica. Hoje vamos falar a respeito do esquema de isolamento social.

ISOLAMENTO SOCIAL

Segundo Young (2008), pessoas que apresentam o esquema de isolamento social costumam experienciar uma intensa solidão e se percebem como diferentes de outras pessoas, excluídas, rejeitadas, isoladas, apresentando como principal comportamento a dificuldade em fazer parte de grupos, socializar-se ou mesmo relacionar-se.

Este autor afirma que “qualquer pessoa que cresce se sentindo diferente pode desenvolver este esquema.” (Young, 2008 p.198). Ele ainda acrescenta como exemplos de pessoas que costumam apresentar este esquema emocional “superdotados, membros de famílias famosas, indivíduos muito boni­tos ou muito feios, homossexuais, pessoas que pertencem a minorias étnicas, filhos de alcoolistas, sobreviventes de traumas, portadores de deficiências físicas, órfãos ou adotados e membros de uma classe social muito superior ou muito inferior a daque­les no entorno.” (Young, 2008 p.198)

Concluímos, a partir destes pontos sinalizados pelo autor, que pessoas que vivenciam experiências de exclusão, rejeição, preconceito, discriminação, seja por questões relacionadas a imagem, habilidades, gênero, cultura, aspectos sociais, políticos, econômicos, traumas, perdas, portadores de deficiências físicas, transtornos psiquiátricos, transtornos por uso de substâncias e/ou outras condições, costumam estruturar o esquema de isolamento social, por não terem a necessidade emocional básica de apego e pertencimento nutrida ao longo de sua jornada. Por vezes, nas suas interações iniciais, percebe-se alguns destes aspectos:

  • Ausência de conexão, vínculos estáveis e duradouros com outras pessoas;
  • Dificuldades para integrar-se em grupos, ou mesmo experiência de exclusão;
  • Ambientes desorganizados, instáveis, violentos, inseguros, perigosos (fuga de guerras, perseguições, catástrofes, etc);
  • Experiência de migração para contextos sócio-culturais diferentes;
  • Pouco ou ausência de afeto (carinho, amor) de forma incondicional;
  • Desconsideração, desrespeito, negligência.

Estas vivências terminam contribuindo para que o indivíduo se perceba diferente dos outros à sua volta, mas também experienciar ser percebido assim pelos outros, fortalecendo sentimentoa de diferenciação, não pertencimento, isolamento, solidão.

COMPORTAMENTOS

Os principais comportamentos que pessoas com esquema de isolamento social apresentam são:

  • Ficar à margem ou evitar totalmente os grupos;
  • Realizar atividades individuais, solitárias;
  • Evitar conhecer pessoas, estabelecer novos relacionamentos;
  • Evitar situações sociais e de exposição;

Estes comportamentos podem ser expressos de diferentes formas e intensidades, de acordo com a história de vida de cada sujeito. Mas o fato é que se percebe nitidamente este padrão evitativo presente, que podem estar a serviço do sujeito para protegê-los de novas situações traumáticas (violência, preconceito, discriminação, bullying), de novos constrangimentos, exposições, ou mesmo de sofrimentos, perdas e dores envolvidos a partir de tais experiências.

Quando o indivíduo assume sua percepção de si em relação aos outros como diferente e/ou inadequado, pode resignar-se ao esquema de isolamento social, ou seja, assumir como verdade para si mesmo tal percepção e seguir sua jornada de vida repetindo o padrão de isolamento, pouquíssimas interações e evitação de grupos.

Mas ainda há casos em que este esquema se mostra como uma estratégia de enfrentamento hipercompensatória, por exemplo, casos de pessoas que interagem superficialmente, sem aprofundar vínculos ou engrenar relacionamentos duradouros, chegando a mudar com frequência de parceiros ou mesmo estabelecer amizades sem initmidades, sem abertura para abrir suas vulnerabilidades e necessidades emocionais.

O fato é que, para entender caso a caso e os impactos gerados pelo esquema de isolamento social ativado na vida do paciente, é preciso avaliação e acompanhamento especializado por parte de um terapeuta do esquema, observando dados de histórico de vida, familiar, social, laboral, relacionamentos, acontecimentos traumáticos, bem como fatores biológicos e de temperamento que possam também contribuir para a estruturação e expressão deste esquema.

Para ampliar a reflexão, seguem algumas sugestões de conteúdo e títulos que serviram de referência para este artigo:

Entrevista com Jeffrey Young: https://www.youtube.com/watch?v=brIWqbjuMj8

Livro “Reinvente sua vida” (Jeffrey Young): https://www.sinopsyseditora.com.br/livros/reinvente-sua-vida-1648

http://www.tfebrasil.com.br/psicoterapia_esquema.asp

Referência Bibliográfica:

YOUNG, Jeffrey E.. Terapia do esquema [recurso eletrônico] : guia de técnicas cognitivo-comportamentais inovadoras / Jeffrey E. Young, Janet S. Klosko, Marjorie E. Weishaar; tradução Roberto Cataldo Costa. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre : Artmed, 2008.

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A RELAÇÃO TERAPÊUTICA NA TERAPIA DO ESQUEMA

A RELAÇÃO TERAPÊUTICA NA TERAPIA DO ESQUEMA

A Terapia do Esquema é uma abordagem integrativa em psicoterapia, estruturada pelo psicólogo americano Jeffrey Young, a partir de casos mais complexos e de difícil manejo, especialmente os transtornos de personalidade. Ele percebeu em sua prática clínica e estudos que os protocolos da terapia cognitivo comportamental tradicional não davam conta de atender todas as necessidades e peculiaridades dos seus pacientes. A partir daí, propôs uma extensão na abordagem da TCC e integração de técnicas de diferentes referenciais teóricos: da psicodinâmica (psicanálise), da gestalterapia (técnicas vivenciais), da terapia cognitivo comportamental (TCC), teoria do apego (Bowlby) e da terapia focada nas emoções (TFE).

O ponto de partida de trabalho nesta abordagem é compreender como se deu a estruturação dos esquemas iniciais desadaptativos na infância e adolescência, a partir da relação do indivíduo com seus cuidados e com o seu contexto de desenvolvimento, quais necessidades emocionais não foram atendidas e qual impactos destes EID’s no contexto de vida atual do paciente;

Tem por objetivo mudar a forma de encarar, interpretar e reagir aos estímulos, a partir das situações vivenciadas e relacionamentos, processar emoções e relações com eventos traumáticos, bem como estruturar estratégias de enfrentamentos mais adaptativas.

A RELAÇÃO TERAPÊUTICA

A relação terapêutica trata-se da relação terapeuta e paciente estabelecida no setting terapêutica. Mas na terapia do esquema, ela é encarada como uma técnica importantíssima e fundamental em todo o processo terapêutico. YOUNG (2008), afirma que “o terapeuta do esquema considera a relação terapêutica vital para avaliação e mudança de esquemas”, pois é nesta relação que o paciente trará e expressará com o terapeuta quem ele é no mundo, como se percebe, como percebe as outras pessoas, como pensa, sente, age e como se relaciona.

Num primeiro momento, e assim como acontece em outras abordagens em psicoterapia, o terapeuta está focado em estabelecer sintonia, conexão com o paciente, em promover um espaço seguro, receptivo, de acolhimento, sem julgamento, para que este se sinta à vontade para trazer suas questões, dificuldades e dilemas, progressivamente vincule-se com o terapeuta e entre de fato em terapia.

Na fase de avaliação, a relação terapêutica se mostra como poderosa ferramenta para reconhecimento de esquemas emocionais ativados do paciente, agregando informações vitais ao processo avaliativo, feito não somente por técnicas estruturadas (questionários dos esquemas, estilos parentais, estilos de enfrentamento, imagens mentais). Assim, ao longo desta etapa, o terapeuta está focado em identificar os esquemas ativados do paciente a partir do que ele trás nas sessões, quais estilos de enfrentamento ele vem colocando em prática até o momento, quais necessidades emocionais estão ausentes e não foram supridas e como tudo isto impacta na sua vida atual.

Neste sentido, a relação terapêutica servirá como espaço de reparação parental limitada, oferecendo as necessidades emocionais básicas de forma limitada ao paciente, bem como espaço experimental de aprendizado de novas estratégias de enfrentamento, mais saudáveis, mais adaptativas.

YOUNG (2008) também afirma que “os terapeutas do esquema são pessoais na maneira de se relacionar com os pacientes, em vez de distantes. Tentam não parecer perfeitos, nem conhecedores de algo que ocultam do paciente. Deixam que suas personalidades naturais transpareçam, compartilham respostas emocionais que acreditam ter um efeito positivo sobre o paciente, expõem-se quando isso auxilia o paciente e visam a uma postura de objetividade e compaixão.”

No processo terapêutico, o terapeuta utiliza suas emoções, esquemas e vivências a favor do processo do paciente, ou seja, mostra-se como de fato ele é, espontaneamente. Estimula o paciente a falar como se sente nesta relação, bem como fornecer feedbacks a respeito do terapeuta, como estratégia de auxiliar o cliente na sua autopercepção, comunicação e expressão das suas necessidades emocionais e vulnerabilidades. É também esta relação espaço para exercício da empatia, escuta ativa e compaixão por parte do terapeuta, de forma a reconhecer o que de fato o paciente necessita e entender a situação a partir do ponto de vista dele.

O terapeuta utiliza a técnica do confronto empático para provocar o cliente a acessar seus esquemas e entender seu funcionamento, provocando-o a encontrar formas alternativas e mais adaptativas frente às suas necessidades e desafios. Utiliza-se ainda da autorrevelação quando oportuna ao aprofundamento da reflexão do cliente, quebrando o mito do psicólogo como sujeito detentor de um saber diferenciado,  articulando no setting terapêutico seus esquemas, emoções e experiências como ferramentas na ampliação de repertório emocional e comportamental do paciente, e  contribuindo para que este encontre em si mesmo, fortaleça e promova seus aspectos saudáveis.

Para saber mais sobre o assunto, seguem algumas sugestões de conteúdo:

Entrevista com Jeffrey Young: https://www.youtube.com/watch?v=brIWqbjuMj8

Livro “Reinvente sua vida” (Jeffrey Young): https://www.sinopsyseditora.com.br/livros/reinvente-sua-vida-1648

http://www.tfebrasil.com.br/psicoterapia_esquema.asp

Referência Bibliográfica:

YOUNG, Jeffrey E.. Terapia do esquema [recurso eletrônico] : guia de técnicas cognitivo-comportamentais inovadoras / Jeffrey E. Young, Janet S. Klosko, Marjorie E. Weishaar; tradução Roberto Cataldo Costa. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre : Artmed, 2008.

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O que podemos aprender com a DEPRESSÃO, a DOR, PERDAS, DIFICULDADES

O que podemos aprender com a DEPRESSÃO, a DOR, PERDAS, DIFICULDADES

Se tem uma afirmação realista é que ninguém sai o mesmo de uma depressão, de perdas e ou dificuldades. Este é um tema que tem permeado muitas sessões de psicoterapia nos últimos 6 meses.

Muitos pacientes chegam trazendo seus diversos sofrimentos: perdas de parentes e amigos queridos fruto do COVID-19 ou outras enfermidades, acidentes, suicídios, dores por conta de adoecimentos na família, violência doméstica, relações abusivas em casa, no trabalho (home-office ou presencial), sobrecarga de demandas, exaustão, dificuldades financeiras, fechamentos de negócios, perdas de clientes, dívidas, fome, privações, etc. Sofrimentos estes que levaram muitas pessoas a quadros depressivos, transtornos de ansiedade, gatilhos para crises, luto, agravamento de transtornos de personalidade, abuso de substâncias, compulsões, entre outros.

Em algum momento, elas perceberam como suas realidades internas e externas se tornaram mais pesadas, exaustivas, adoecedoras, limitantes, paralisantes, dolorosas. Tiveram a coragem de dar um primeiro passo importante: buscar ajuda profissional de psicólogos, médicos, psiquiatras, nutricionistas, educadores físicos, entre outros profissionais de saúde, dentro das especificidades de cada caso, dentro do que elas entendiam necessitar de auxílio, orientação, cuidado, escuta, estratégias e ferramentas para atravessarem suas jornadas.

Estamos sendo testemunhas de muitas destas realidades de sofrimento, direta ou indiretamente, como parente, amigo, profissional que acompanha, orienta, dá suporte e ajuda a estas pessoas. Mas um ponto muito importante a trazer à luz na reflexão de hoje é: como é possível aprender a partir de momentos críticos. 

Situações como estas acima citadas levam cada pessoa a acessar suas vulnerabilidades, seus limites, suas necessidades emocionais, físicas, materiais não atendidas ou faltantes neste contexto, a sentir a intensidade de suas dores, que, num primeiro momento, parecem-lhes não ter fim, serem insuportáveis, limitantes, dilacerantes, cada um ao seu modo, expressando através de emoções, pensamentos, comportamentos, linguagem verbal, não verbal, num grande esforço de buscar sobreviver, tolerar, lidar, aceitar, superar, seguir em frente em suas jornadas.

Pode parecer o fim, pode até mesmo parecer contraditório, por estarmos acostumados a viver numa sociedade que estimula a supressão de dores, sintomas e sofrimentos; mas é exatamente neste encontro com as nossas vulnerabilidades que temos a oportunidade de acessar nossas centelhas de aprendizados. 

Quando vivenciamos momentos de vulnerabilidade e nos colocamos abertos a acolher nosso sofrimento, reconhecer e nomear nossas dores, perdas, temos condições de acessar no nosso sistema o que necessitamos para sobreviver, superar e seguir em frente. Temos condições de acessar nossa capacidade adaptativa, de perceber que as dores e sofrimentos são passageiros e nos trazem inúmeros ensinamentos dentro do que necessitamos aprender, tanto individual, quanto como casal, família, coletivo.

A depressão, o luto, perdas e dificuldades convida-nos a parar, desacelerar, nos colocando de frente com o não saber como seguir, com a necessidade de respeito ao tempo do corpo, da mente. Trás a oportunidade de reflexão das insatisfações, frustrações, perdas, reavaliação da vida, do que se trilhou até aqui, o que realizamos, perdas e ganhos. Chama-nos a olhar e reconhecer as mudanças de contextos, de necessidades atuais, de buscar e encontrar novos sentidos.

Por mais difícil e demorado que toda esta jornada pareça ser, certamente cada pessoa sairá diferente de como iniciou seus processos. Sairá mais resiliente, com muito mais recursos internos, com novas estratégias de enfrentamento e de regulação emocional, mais conscientes sobre suas necessidades e direitos, das escolhas a serem feitas, das responsabilidades a assumir, dos “sim” e dos “não” que deverá dizer daqui para frente,  para si mesma e para outras pessoas à sua volta. Enfim, cada indivíduo sairá com novos sentidos, novas respostas, novas possibilidades para construir um novo começo, um novo capítulo da sua jornada.

Sugestões para você continuar lendo e refletindo:

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Confinamento e seus efeitos no corpo, mente e alma

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Confinamento e seus efeitos no corpo, mente e alma

Confinamento e seus efeitos no corpo, mente e alma

Já estamos há 126 dias em quarentena, promovendo distanciamento social no enfrentamento da propagação do COVID-19.Mas também há um exército de profissionais das mais diversas áreas dos serviços essenciais que há este mesmo tempo (ou maior) está na linha de frente, vivenciando de perto todos os desafios e impactos negativos que esta pandemia tem gerado.

Vivenciamos, desde março, diversas mudanças de rotina: de higiene e autocuidado, pessoal, familiar, profissional, alimentar, relacionamento e socialização virtual a maior parte do tempo, e ainda um contexto sócio-político-econômico e de saúde pública repleto de incertezas, fatores estressores, em âmbito mundial.

Todo este cenário acima descrito passou a ser a nossa nova rotina, o que muitos tentando de alguma forma encontrar e criar novas referências, têm chamado de “novo normal”. Mas o fato é que passamos a viver sob estresse crônico, diário, há mais de 120 dias, e isto promove uma série de impactos no nosso corpo, mente e alma.

ESTRESSE

O estresse é uma experiência que nosso organismo vivencia quando nos sentimos ameaçados, como resposta a algum perigo real ou imaginário. Diante de fatores estressores, nosso organismo entra em estado de alerta, liberando descarga de hormônios cortisol e adrenalina no nosso organismo, ativando nosso sistema de luta-fuga e nos preparando para lutar, fugir ou paralisar.

A ansiedade frente a um perigo em si não é algo ruim. Aliás sempre foi um fator de proteção e sobrevivência, mas que, com o passar dos séculos, do nosso processo de evolução tecnológica e mudanças de estilo de vida, desenvolvemos também uma série de medos e ameaças subjetivas, imaginárias, que do mesmo modo ativam esta descarga hormonal.

A diferença é que, no tempo das cavernas, nossos ancestrais de fato liberavam estes hormônios na caça e combate com predadores, lidavam com ameaças reais. Mas hoje, vivenciamos todo este processo do estresse e não liberamos efetivamente isso, percorrendo tais hormônios na nossa corrente sanguínea, deixando-nos em alerta constante, e que, a longo prazo, trazem grandes impactos na nossa saúde geral e sistema imunológico.

EFEITOS NO CORPO

Quando estamos sob estresse crônico, como no contexto atual de confinamento, grandes incertezas, mudanças drásticas de rotina, perdas de entes queridos, perdas materiais, nosso corpo apresenta uma série de sintomas de estresse:

  • Aumento de pressão arterial e batimentos cardíacos;
  • Aumento da atividade cerebral, hipervigilância, estado de alerta;
  • Pupilas dilatadas;
  • Vasoconstricção e aumento de coagulação sanguínea;
  • Aumento na acidez e inflamação no organismo, especialmente aparelho gástrico;
  • Dores musculares por conta de tensão, dores articulares;
  • Aumento nos índices de açúlcar;
  • Diminuição da libido;
  • Perda ou aumento de apetite;
  • Cansaço, indisposição, lentificação, letargia;
  • Problemas de sono: insônia ou hipersonia;
  • Compulsões como estratégia para aliviar anestesiar, esquecer, compensar sofrimentos e incertezas;

EFEITOS NA MENTE

Também experienciamos sintomas psicoemocionais e comportamentais frente ao contexto estressor crônico da pandemia:

  • medo do contágio do vírus (ser contaminado ou transmitir para alguém), medo de adoecer, medo de morrer, medo de perder trabalho, clientes, medo de fechar negócio, medo de falir, medo das incertezas, medo de perder o controle, medo de não dar conta, medo de enlouquecer, etc.
  • ANSIEDADE: que pode ser percebida no corpo (falta de ar, aceleração de batimentos cardíacos, agitação física, estado constante de alerta, insônia, e outros sintomas acima descritos), como na mente (pensamentos acelerados, pensamentos intrusivos, preocupação constante com segurança, sobrevivência, saúde, higiene, contas a pagar, inseguranças, etc);
  • NEGAÇÃO: dificuldades para aceitar o contexto, seus riscos envolvidos, a possibilidade real de adoecimento grave, finitude, enfim de morte. Dentro disso, é muito comum comportamentos de evitativos como não ficar em casa, não seguir as orientações de higienização e desinfecção constantes (lavar a mão, não misturar nem usar utensílios de uso pessoal, evitar aglomerações, usar máscaras e luvas), como que fingindo para si mesmo que nada de grave estivesse acontecendo. Este mecanismo trás à tona a dificuldade que temos de acessar nossas vulnerabilidades, dores, nossa incompetência e impotência frente ao cenário;
  • RAIVA: esta emoção surge neste contexto como uma expressão também de não aceitação do contexto, incertezas, impotência, não saber, perda de referências de rotina, controle, planejamento. Ela pode ser expressa como irritabilidade, impaciência, agitação psicoemocional, agitação motora, aumento da ansiedade, pânico, bem como explosividade e acessos de fúria, variando de pessoa para pessoa;
  • TRISTEZA: esta emoção revela nossa dor frente ao contexto, riscos e ameaças envolvidos, nosso sentimento de impotência, de não saber, nossa fragilidade. Revela nossa empatia em sentir não só a nossa dor, mas a dor dos que estão à nossa volta, nos conectando pelas nossas vulnerabilidades. Ela revela nossas dores frente às perdas envolvidas, pessoais, materiais, de pessoas queridas, faltas concretas e subjetivas que experimentamos diariamente, falta do contato social, de estar próximos das pessoas que amamos, saudades, e outras experiências psicoemocionais;
  • INSTABILIDADE EMOCIONAL: alterações constantes de humor e estados emocionais;
  • CONFORMISMO: alguns podem estar se conformando com o contexto, ficando em casa, tomando todos os devidos cuidados e precauções, mas ainda assim experienciando todas estas emoções anteriormente citadas, expressão a não aceitação efetiva do contexto e seus inúmeros impactos. O conformismo costuma nos levar a comportamentos de lentificação, passividade, resignação, vitimismo, evitativos como a procrastinação, a preguiça, queda de produtividade, dificuldades de atenção e memória;
  • PROCRASTINAÇÃO: algumas pessoas relatam estarem adiando, procrastinando algumas atividades, seja por falta de motivação, energia, concentração, seja por falta de sentido para se manterem engajados nelas;
  • MEMÓRIA: alguns relatam dificuldades de memória e para se concentrar em atividades, manter-se focados por conta do estresse gerado pelo confinamento prolongado;
  • CONFUSÃO MENTAL: algumas relatam sentir perda da noção dos dias, por conta do isolamento e dificuldade em diferenciá-los, estabelecer uma rotina minimamente estruturada, além das informações confusas, imprecisas veiculadas nos meios de comunicação;

EFEITOS NA ALMA

Aqui falamos de alguns efeitos relacionados à nossa dimensão espiritual:

  • LUTO: vivenciamos neste período da pandemia os 5 estágios do luto (negação, raiva, barganha, depressão, aceitação) pelos diferentes tipos de perdas que vivenciamos neste momento (perdas de pessoas queridas, perdas materiais, perdas ou interrupção súbita de planos, sonhos e projetos pessoais, profissionais, etc);
  • PERDA DE SENTIDO DA VIDA, em virtude de tudo ter parado, não haver prazos para tudo isso passar, sonhos e projetos cancelados e/ou adiados sem previsão, sensação de viver em suspensão, sem saber o que será, como será e o que virá;
  • NEGATIVISMO: pessoas se sentindo reféns do contexto, resignadas, impotentes, sem perspectivas frentes à tantas incertezas, descrentes;
  • PESSIMISMO, DESESPERANÇA: Pode levar pessoas a se sentirem desesperadas, desesperançosas, sem fé, perda da confiança em si, nos outros e no contexto, assim como perder sentido de sua existência. Em caso mais graves, podem levar a ideação suicida ou mesmo a tentativas de suicídio.
  • REFLEXÃO, RESSIGNIFICAÇÃO: há também quem esteja encarando este momento como um “freio de arrumação” para refletir e entrar em contato com o presente, com o que realmente importa, dores, necessidades emocionais, de mudanças, ajustes de rota, bem como mudança de planos, de como se relacionar, como trabalhar, de estilo de vida, revendo hátibos, em como a construção de novos sonhos e transformações, abrindo-se para aprofundar o autoconhecimento e ressignificar a vida.

Como podemos ver, são inúmeros impactos que o confinamento provoca no nosso corpo mente e alma. A proposta deste artigo é ajudar na reflexão, abertura para acolher como estamos vivendo, sentido, pensando, o que podemos aprender com tudo isso, como podemos atravessar toda esta jornada de inúmeras mudanças da melhor forma, a partir dos recursos disponíveis e ao nosso alcance.

Não está sendo fácil para ninguém, mas com certeza podemos nos ajudar uns aos outros a enfrentar os desafios que estão diante de nós, visíveis ou invisíveis, com maior escuta, compaixão, acolhimento, não julgamento, respeito, empatia, apoio, cuidado, afeto, solidariedade, cada um fazendo sua parte, utilizando seus talentos, fazendo o que é possível ser feito, olhando não só para si, mas para as necessidades e adversidades do coletivo.

Para saber mais, confira:

https://www.youtube.com/watch?v=lBkzdaulobA

https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2016/08/08/o-que-o-estresse-causa-no-corpo.htm

https://www.vittude.com/blog/estresse-saiba-como-ele-afeta-sua-saude/

http://mamtra.com.br/socializacao-x-isolamento-social/

http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/597292-a-dimensao-espiritual-da-crise-do-coronavirus

https://brasil.elpais.com/mamas_papas/2020-06-06/os-efeitos-do-confinamento-na-saude-mental-de-criancas-e-adolescentes.html

https://www.estadao.com.br/infograficos/saude,pausa-para-se-reconectar-com-quem-somos-e-com-nossos-sonhos,1089380

 

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ATENDIMENTO ONLINE: principais pontos de adaptação dos profissionais

ATENDIMENTO ONLINE: principais pontos de adaptação dos profissionais

Em meio ao contexto de pandemia do coronavírus, o atendimento psicológico online se tornou realidade para terapeutas e clientes, como uma estratégia de assegurar o distanciamento social preventivo contra o contágio do COVID-19 e dar seguimento nos processos de psicoterapia.

Além disso, muitas pessoas que antes não faziam terapia, por conta do contexto pandêmico, entraram em contato com diversas emoções, questões existenciais, assim como o desafio de viver temporariamente, mas sem prazo, em confinamento, seja sozinho, seja com seus familiares,  deparando-se com conflitos até então não existentes ou que foram potencializados neste momento. Isto tem levado cada vez mais pessoas buscar psicólogos para fazer terapia online como estratégia de saúde mental, promoção de bem estar, qualidade de vida e gestão de conflitos.

DESAFIOS

O fato é que a maior parte dos psicólogos não atendiam online até então, e neste momento foram inclusive orientados pelo CPF (Conselho Regional de Psicologia), em virtude da portaria n°639/2020 do Ministério da Saúde de 31/03/2020, a fazerem os atendimentos online, seguindo os critérios da resolução CFP N°11/2018,  que estabelece regras para o atendimento psicológico mediado por tecnologia.

Daí que uma série de desafios para adaptação dos terapeutas e pacientes se deram a partir desta realidade e aqui vamos listar alguns principais pontos de adaptação para os profissionais:

  1. Cadastro E-PSI: ainda que neste período de pandemia o CFP tenha flexibilizado a obrigatoriedade do cadastro do profissional na plataforma e-psi para monitoramento e fiscalização, é fundamental psicólogos deixarem seu cadastro em dia, já que não temos previsão de quando nem como será o contexto de atendimentos pós quarentena;
  2. Assegurar o sigilo: estamos trabalhando nos atendimentos online, mas continuamos seguindo o código de ética da nossa profissão. É fundamental garantir o sigilo, confidencialidade e proteção das informações do paciente, assim como fazíamos nos atendimentos presenciais. Muito importante que o psicólogo não compartilhe seu computador e outros dispositivos com terceiros, continue gerando pronturários e seguindo protocolos das suas respectivas abordagens, assim como esclarecer clientes sobre seus recursos tecnológicos a serem utilizados para garantir tal segurança de sigilo dos dados;
  3. Setting Terapêutico: isto diz respeito ao ambiente físico e subjetivo da escuta terapêutica. Antes o setting era presencial, com recursos e ferramentas de intervenção presenciais, e que agora precisam ser adaptados pelo terapeuta para assegurar eficácia do seu atendimento. Muito importante ter um espaço privativo reservado aos atendimentos, assim como orientar os clientes também neste sentido: buscar espaço sem interrupções, sem distrações, que se sinta plenamente à vontade para falar sobre suas questões. Se você psicólogo tiver possibilidade de manter alguns elementos do setting presencial no seu setting online de atendimento, ajudará no sentimento de conforto e segurança para o seu paciente;
  4. Campo de Visão: Outro ponto que se perde no atendimento online é a visão em 3D, a presença efetiva do outro, perceber as reações fisiológicas (olhar, temperatura, cheiro, sudorese, velocidade da respiração, agitação motora, e outras informações não verbais e corporais). Sendo assim, vale investir num ambiente privativo sem outros estímulos, que permita escuta ativa, diretiva, e atenta ao que é sinalizado pelo cliente na tela do dispositivo utilizado. Como o campo visual fica ainda mais restrito, preste bastante atenção tanto na sua expressão verbal e não verbal como na do seu cliente;
  5. Agenda: apesar de estar em casa, é preciso manter a mesma rotina de dias/horários marcados, tempo de sessão. Isto contribui para o senso de rotina, mantendo as mesmas regras de funcionamento do presencial no formato remoto. Isto ajuda a diminuir o senso de incerteza e instabilidade;
  6. Qualidade dos dispositivos e conexão: este é um desafio tanto para psicólogos quanto para os clientes. Quanto melhor o sinal e a velocidade de transmissão de dados da internet disponível, mais estável e sem interrupções de conectividade será o atendimento, contribuindo para manter o fluxo do atendimento sem interrupções de ordem técnica. Importante também combinar e orientar o paciente qual ferramenta ele melhor se adapta, como utilizar, como assegurar seu sigilo e privacidade;
  7. Atendimento a crianças: são ainda mais desafiante para o terapeuta, além de exigir o consentimento expresso dos responsáveis legais delas. Além disso, a depender da idade da criança, a participação de pelo menos 1 dos cuidadores pode ser essencial para que a sessão aconteça.
  8. Cuidar de si para cuidar dos outros: é bem importante estar a tento que nós terapeutas estamos vivenciando o mesmo contexto pandêmico que nossos clientes. Somos humanos e também temos nossas vulnerabilidades. Então é fundamental que você procure colocar em prática estratégias de autocuidado e saúde integral, não superlotar sua agenda de atendimentos online, colocar intervalos entre os clientes para fazer pausas e ter tempo de recuperação de um cliente para outro. Procure manter uma rede de apoio e troca ativa com seus colegas, compartilhar ferramentas e técnicas que sejam úteis para todos, pedir ajuda a colegas de sua confiança, fazer terapia, fazer supervisão.

São muitos desafios para nós psicólogos em assegurar para o cliente uma sessão de qualidade e eficácia terapêutica. Porém, diante do contexto, é muito melhor assegurar os atendimentos ainda que de forma remota e adaptada, do que suspendê-los. Estamos num contexto de muitas incertezas, riscos reais, e que provocam inúmeras emoções e sentimentos como o desamparo.

Para o paciente, saber que pode contar com seu terapeuta ao longo deste processo e ter a possibilidade de fazer suas sessões online, fará toda a diferença no sentir-se amparado, apoiado, acolhido, com escuta ativa e poderá pensar e praticar as estratégias de promoção de bem estar e qualidade de vida que estiver ao seu alcance.

Para saber mais:

http://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-n-639-de-31-de-marco-de-2020-250847738

Resolução CFP Nº 11/2018

https://br.noticias.yahoo.com/terapia-%C3%A0-dist%C3%A2ncia-psic%C3%B3logos-e-073012246.html

https://blogdodunker.blogosfera.uol.com.br/2020/03/27/sofrimento-como-ter-atendimento-psicologico-online-em-epoca-de-coronavirus/

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TRABALHO E FAMÍLIA: como conciliar em tempos de pandemia

TRABALHO E FAMÍLIA: como conciliar em tempos de pandemia

Todos fomos levados a colocar em prática o distanciamento social como uma das estratégias de combate ao corona vírus, de conter a curva de propagação do vírus, proteger-nos e proteger nossos familiares, assim como não colapsar o sistema de saúde. Todos tivemos de ficar em casa sem previsão, e com isto vieram muitos desafios , dentre eles o conciliar do trabalho com os cuidados com a família. Para ajudar neste desafio, deixo aqui 4 dicas para você:

  • TAREFAS DOMÉSTICAS: procure envolver todos os familiares que estejam em plenas condições de saúde nos cuidados com a casa e tarefas domésticas. Quando fazemos juntos, dividindo as tarefas, dedicamos menor tempo e ninguém fica sobrecarregado sozinho. As crianças também podem ajudar em algumas tarefas apropriadas para sua faixa etária, é uma forma de educa-las sobre a importância da organização, responsabilidades, e elas se sentirem participantes ativas;
  • TRABALHO: exigir-se ter a mesma rotina que você tinha quando no escritório, empresa, ou outro trabalho que você fazia antes fora de casa é simplesmente irreal. O contexto mudou, a rotina é outra, os recursos não são os mesmos. Então procure dividir sem tempo entendendo que o trabalho é parte do seu dia e não a única e mais importante atividade a dedicar seu tempo. Cuidar de si e da sua família é muito importante e demanda tempo. Procure distribuir suas atividades profissionais ao longo da semana e combine com eles qual horário você focará nele e que não poderá ser interrompido com distrações;
  • ROTINA PARA TODOS: procure negociar com todos os envolvidos como será a rotina da família, bem como as individuais, incluindo as crianças. Quais tarefas precisam ser cumpridas, horário das refeições, quem sairá se necessário for, horários para dormir, refeições, atividade física e incluir tempo para lazer, descanso, diversão juntos. É preciso manter corpo, mente e espírito saudáveis para atravessar esta jornada da melhor forma possível;
  • APOIO, ESCUTA, ACOLHIMENTO, COMPAIXÃO: todos neste contexto estão expostos a alto grau de estresse com as mudanças de rotina, preocupação extrema com a saúde e preservação, o que nos faz vivenciar muitas experiências psicoemocionais, mudanças de humor súbitas, mudanças comportamentais. É preciso que todos se apoiem, compartilhem as vulnerabilidades, peçam e ofereçam ajuda e acolham os momentos de fragilidade uns dos outros. Apoio, escuta e pertencimento é fundamental para fortalecer a resiliência individual e do núcleo familiar.

Estas dicas foram pensadas para otimizar o dia a dia da família como um todo, entendendo que todos são corresponsáveis pelo lar, pelo bem estar e qualidade de vida do coletivo em domicílio. É fundamental aceitar o contexto que estamos vivendo e nos colocarmos abertos a buscar as melhores soluções ao alcance, ainda que temporárias frente ao contexto maior de incertezas.

Agora é hora mais do que nunca de pensarmos no todo, no que é melhor considerando todos os envolvidos e não focar nos interesses individuais para não sobrecarregar ninguém, muito menos gerar conflitos familiares desnecessários, quando já estamos diante de tantos outros problemas tão mais relevantes que nos exigem diariamente muita energia, discernimento, disciplina e aceitação para encarar o contexto macro. Vamos focar no que realmente importa neste momento. Desejo boa sorte e sabedoria a você e sua família para colocar em prática estas dicas e promoverem juntos um ambiente mais saudável e colaborativo para atravessar esta pandemia com os menores impactos.

Coach de Carreira, Psicóloga
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MECANISMOS DE ENFRENTAMENTO

MECANISMOS DE ENFRENTAMENTO

Neste contexto de isolamento social, é fato que todos estão sentindo diversas emoções, pensamentos e comportamentos, conhecidos ou desconhecidos até então, fruto de uma mudança busca de rotina, limitação de liberdade de ir e vir, assim como de suspensão temporária do contato social presencial. Daí vem a pergunta: mas de onde surge tudo isso? Por este motivo, vamos falar hoje sobre mecanismos de enfrentamento.

CONTEXTO

Estamos num contexto com diversos elementos estressores. Temos que ficar em casa para nos protegermos frente a uma ameaça real que impacta diariamente no mundo inteiro: a possibilidade de ser infectado pelo COVID-19, de enfrentar uma síndrome respiratória aguda de alto impacto no organismo, rápida evolução e que tem levado milhares de pessoas ao adoecimento e à morte.

Deparamo-nos diariamente com este fato. Ainda que conhecida desde sempre, a perspectiva da morte, até esta mudança abrupta e ameaçadora de contexto, talvez muitos de nós não lidávamos com esta perspectiva de forma tão próxima e tão presente no cotidiano.

Este fato revela o quanto nós seres humanos temos dificuldade de lidar com a finitude, e com isso muitos comportamentos, emoções e pensamentos os mais variados são ativados, de forma particular em cada um, em diferentes dias, em diferentes momentos do nosso isolamento social.

Além deste primeiro ponto abordado, uma enxurrada de informações 24 horas por dia são veiculadas nos telejornais, na internet, nas redes sociais, veiculando notícias sobre a velocidade de ação da pandemia do COVID-19 no mundo inteiro, revelando incertezas, o não saber lidar com este contexto em escala global, o não conhecimento prévio científico, coletivo e individual para lidar com tamanha ameaça a vida, a não existência prévia de uma vacina, de um tratamento para combater o coronavirus, trazendo à tona a vulnerabilidade de nossa condição humana em escala global.

Vemos diariamente lideranças e cientistas sinalizando estas vulnerabilidades, buscando utilizar os mais diversos recursos para o quanto antes chegar a produção de uma vacina, de medicações para o tratamento, mas sempre pontuando que se trata de  uma produção de conhecimento, soluções e práticas frente à crise construídos dentro dela, ou seja, à medida em que enfrentamos, buscamos soluções em escala global para combater este real problema de alto impacto.

Além disso, nosso contexto conta ainda, infelizmente, com produção de conteúdos falsos, as famosas “fake News”, bem como posicionamento de algumas lideranças negando o contexto, o que gera confusão mental, indignação, raiva, potencializando sensação de estar perdido em cada cidadão frente à tantas incertezas, vulnerabilidades e limitações.

MECANISMOS DE ENFRENTAMENTO

Frente a tudo isso, muitos comportamentos, emoções, pensamentos são esperados, mas nem por isso fáceis de lidar, por nos encontrarmos imersos a este contexto de inúmeros fatores estressores. Quais são eles? Confira abaixo os mais recorrentes e que pode estar acontecendo neste exato momento com você ou algum familiar, amigo, colega ao seu lado:

  • MEDO: contextos estressores ativam nosso sistema repitiliano, nosso sistema mais primitivo, onde se encontram nosso sistema de busca por sobrevivência e preservação da espécie, ativando comportamentos ligados à luta e fuga, em busca de proteção, sobrevivência de si e da espécie como um todo. O medo entra como emoção mais relevante neste processo, ativando a amídala, uma glândula que sinaliza alerta, “pane” ao nosso organismo, liberando hormônio do estresse, o cortisol;
  • NEGAÇÃO: este é um enfrentamento que muitas pessoas apresentam por dificuldade em aceitar o contexto, seus riscos envolvidos, a possibilidade real de adoecimento grave, finitude, enfim de morte. Dentro disso, é muito comum comportamentos de evitativos como não ficar em casa, não seguir as orientações de higienização e desinfecção constantes (lavar a mão, não misturar nem usar utensílios de uso pessoal, evitar aglomerações, usar máscaras e luvas), como que fingindo para si mesmo que nada de grave estivesse acontecendo. Este mecanismo trás à tona a dificuldade que temos de acessar nossas vulnerabilidades, dores, nossa incompetência e impotência frente ao cenário;
  • RAIVA: esta emoção surge neste contexto como uma expressão também de não aceitação do contexto, incertezas, impotência, não saber, perda de referências de rotina, controle, planejamento. É uma emoção que revela muito nosso desejo de continuidade da vida, muito ligada ao nosso mecanismo de luta, de ataque frente a ameças. Revela ainda nosso desejo de que tudo fosse diferente e tivesse outro desfecho, que não o que estamos vivenciando. Sinaliza nossa energia de busca por soluções, saídas, continuidade, enfrentamento, mas também a não aceitação e a sensação de sermos obrigados a nos deparar com o real perigo, ameaça, incertezas, dores, impotência frente aos acontecimentos. Ela pode ser expressa como irritabilidade, impaciência, agitação psicoemocional, agitação motora, aumento da ansiedade, pânico, bem como explosividade e acessos de fúria, variando de pessoa para pessoa;
  • BARGANHA: aqui observamos muito nas nossas tentativas de negociar prazos de quando poderemos voltar à “normalidade”, como se fosse possível de fato voltarmos ao que era antes. Entram também nossas buscas constantes de soluções parciais, paliativas, temporárias, que de fato não resolvem o contexto, mas nos ajudam a “ganhar tempo” até que outras soluções eficazes surjam. É a nossa ação utilizando todas as armas e recursos disponíveis para o enfrentar da situação, porém ela continua nos colocando em contato com nosso risco e ameaça real, perigo, vulnerabilidade, impotência e finitude;
  • TRISTEZA: esta emoção revela nossa dor frente ao contexto, riscos e ameaças envolvidos, nosso sentimento de impotência, de não saber. Revela nossa empatia em sentir não só a nossa dor, mas a dor dos que estão à nossa volta, nos conectando pelas nossas vulnerabilidades. Ela revela nossas dores frente às perdas envolvidas, pessoais, materiais, de pessoas queridas, faltas concretas e subjetivas que experimentamos diariamente, falta do contato social, de estar próximos das pessoas que amamos, saudades, e outras experiências psicoemocionais;
  • CONFORMISMO: alguns podem estar se conformando com o contexto, ficando em casa, tomando todos os devidos cuidados e precauções, mas ainda assim experienciando todas estas emoções anteriormente citadas, expressão a não aceitação efetiva do contexto e seus inúmeros impactos. O conformismo costuma nos levar a comportamentos de lentificação, passividade, resignação, vitimismo, evitativos como a procrastinação, a preguiça, queda de produtividade, dificuldades de atenção e memória;
  • COMPULSÃO: este é um comportamento que revela estratégia compensatória frente aos acontecimentos. Alguns de nós começam a comer mais, trabalhar mais, beber mais, fumar mais, usar mais medicações, comprar mais, usar mais substâncias ilícitas, como estratégias de alívio e compensação frente às faltas, dores, vulnerabilidades que o contexto nos faz acessar;
  • ANEDONIA: muitas pessoas podem apresentar dificuldade, redução ou perda da capacidade de sentir e buscar prazer por se encontrarem neste contexto estressor;
  • CONFUSÃO MENTAL: algumas relatam sentir perda da noção dos dias, por conta do isolamento e dificuldade em diferenciá-los, estabelecer uma rotina minimamente estruturada, além das informações confusas, imprecisas veiculadas nos meios de comunicação;
  • INSÔNIA: o sono pode ser prejudicado em virtude do organismo se encontrar com o sistema de luta e fuga ativado, ou seja, permanecendo em alerta a maior parte do tempo. Isto pode levar pessoas a terem dificuldade de iniciar o sono, ter o sono interrompido, dormir menos horas ou despertar mais cedo que o de costume;
  • LENTIFICAÇÃO: podemos apresentar comportamentos de lentificação do organismo, preguiça, tédio, hipersonia também como estratégia de enfrentamento ao contexto estressor e isolamento social;
  • NEGATIVISMO: manifestado por muitas pessoas por se sentirem reféns do contexto, impotentes, sem perspectivas frentes à tantas incertezas, ou mesmo descrentes. Pode levar pessoas a se sentirem desesperadas, desesperançosas, perder sentido de sua existência e em caso mais graves a tentativas de suicídio.

Todos estes pontos acima citados são experiências emocionais, cognitivas, comportamentais que podemos apresentar como mecanismos de enfrentamento frente ao contexto de pandemia do COVID-19 que estamos vivenciando. Isso significa a importância de perceber o que é congruente com o contexto e o que não é incongruente, de forma inclusive a buscar ajuda profissional (médica, psicoterapia) e mesmo não intensificar estes processos, levando a instalação de transtornos mais graves (violência doméstica, abusos, homicídios, depressão, TEPT, TOC, pensamentos ou tentativas suicidas, transtorno do pânico, TAG, transtornos de ansiedade específicos, fobias, ou mesmo quadros de despersonalização, desrealização, psicose).

PROMOÇÃO DE SAÚDE, PREVENÇÃO E BEM ESTAR

Aproveito e deixo abaixo dicas de como você pode colocar em prática estratégias de enfrentamento focando no seu bem estar, prevenção, saúde física, mental, espiritual para atravessar da melhor forma possível toda esta jornada:

  • ROTINA: procure estruturar uma agenda, seja para seu dia, seja para sua semana. Inclua horários para se alimentar, cuidar de si, de seus familiares, atividades prazerosas, além de trabalho. Procure dormir no mesmo horário. Isto ajudará a diminuir a sensação de incerteza, imprevisibilidade, ainda que sua agenda seja menos intensa que antes;
  • BEM ESTAR: busque atividades prazerosas e diversão. Promova qualidade de vida na sua rotina pessoal, familiar e profissional de modo a lidar com os desafios do contexto de forma mais leve. Inclua filmes, séries leves, bem humoradas, músicas, podcasts, lives de shows e espetáculos além de atividades práticas e lúdicas;
  • ACT: pratique a autoaceitação e compromisso. Gerar autocobrança excessiva, regras muito rígidas para si mesmo e para os outros do seu convívio será mais fatores de tensão e estresse que só potencializarão emoções desagradáveis e conflitos. Negocie com você mesmo e com as pessoas com quem mora o que será bom para todos, respeitando ao máximo as necessidades e direitos dos envolvidos. Assuma compromissos com você mesmo e com os outros para tornar esta jornada mais leve e respeitosa;
  • MEDITAÇÃO E MINDFULLNESS: pratique exercícios de presença, atenção plena, foco na respiração, meditações guiadas que promovem bem estar imediato, promovem autoconhecimento, melhoria na percepção de necessidades físicas, emocionais, relacionais e do que realmente importa;
  • ATIVIDADE FÍSICA: pratique como estratégia de promoção de bem estar físico, mental, já que exercícios físicos liberam hormônios de prazer como as serotoninas. Foque em estar bem, corpo, mente e espírito;
  • CONEXÃO AFETIVA VIRTUAL: o distanciamento é apenas físico. Busque alternativas de se fazer presente na vida de quem ama e elas na sua, utilizando os recursos tecnológicos (videoconferências, telefonemas, whatsapp, etc). Mantenha os vínculos afetivos ativos e presentes na sua vida;
  • APRENDIZADO DE NOVOS CONHECIMENTOS E HABILIDADES: pesquise e coloque em prática novos conhecimentos. Aprenda novas habilidades, faça cursos online, pesquise novos temas e conteúdos que quebrem seu foco nas notícias trágicas, imprecisas. Foque em manter-se ativo e gerando aprendizado e melhoria contínua, isto ajuda seu cérebro perceber um senso de continuidade;
  • CURIOSIDADE: troque o medo pela curiosidade frente ao novo, frente às incertezas. Excercite sua criatividade de diferentes formas, brinque, jogue, dançe, cante, interprete, escreva, recite, descubra, inove;
  • FÉ, ESPERANÇA, CONFIANÇA: cultive práticas que potencializem pensamentos positivos, fortaleça sua confiança tanto em si mesmo para superar o contexto, como na perspectiva de continuidade e ressignificação da vida como um todo. Fé e esperança impactam diretamente de forma positiva no sistema imunológico, no enfrentamento de desafios, na busca de soluções e na capacidade de superação, ou seja, potencializam sua resiliência;
  • CAPACIDADE DE SONHAR: exercite sua capacidade de sonhar, visualizar novos projetos e sonhos de longo alcance. Imaginar o que você quer ser, fazer, realizar a longo prazo, após o pior passar e que daqui até lá você possa se concentrar em construir este plano, identificar recursos necessários, tornar claro o que de fato você quer para você e sua família;
  • SOLIDARIEDADE: pratique ações solidárias diretas ou indiretas, ajude quem estiver ao seu alcance, não importa o tamanho da ação. Sinta-se contribuindo para melhorar nem que seja minimamente a sobrevivência e bem estar de outras pessoas. Seja solidário, cooperativo, foque no bem estar e saúde do coletivo. Todos são importantes.

Estas são dicas de promoção de qualidade de vida, bem estar e saúde integral, cruciais para que todos nós possamos atravessar esta pandemia da melhor forma que estiver ao alcance de cada um de nós, utilizando os recursos que temos, internos e externos, materiais e subjetivos. Temos muito a aprender com todo este contexto, individualmente e em coletivo. Temos muito a construir mais adiante, de forma diferente, levando todos estes aprendizados do processo.

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SOCIALIZAÇÃO X ISOLAMENTO: entendendo como cuidar da sanidade

SOCIALIZAÇÃO X ISOLAMENTO: entendendo como cuidar da sanidade

Estamos vivendo uma experiência enquanto humanidade sem precedentes: a pandemia do Corona Vírus. E com ela uma avalanche de mudanças de rotina, inclusive a diretriz da quarentena que nos priva da socialização e nos coloca em isolamento como medida preventiva e de contenção da proliferação do vírus e também do número de casos positivos, sejam eles com ou sem sintomas.

Isto de fato tem mexido com o emocional de todos nós, seja pelo fato de nos depararmos com as incertezas do não saber como lidar com este contexto, o não saber o que estará por vir, quando passará, dimensão dos impactos, seja porque nos leva a quebrar paradigmas relativos ao planejamento, uso do tempo, formas de trabalho, relacionamento com nós mesmos, os outros e o mundo. Uma verdadeira revolução para todos nós enquanto humanidade.

IMPACTOS DO ISOLAMENTO

Pois bem, aproveitando este contexto, resolvi falar sobre o que acontece neste contexto em que temos nossa liberdade de ir e vir limitada por motivo de força maior e saúde pública. Segue abaixo alguns pontos que você pode já estar sentido na pele ou ainda não, mas pode estar percebendo em algumas pessoas à sua volta neste período de quarentena:

  1. Aumento da ansiedade: que pode ser sentido pelo aumento de ruminação mental, agitação motora, problemas de sono (insônia), e outros sintomas;
  2. Aumento de comportamentos compulsivos: muitos passam a comer mais, beber mais, jogar mais, usar mais substâncias e mesmo comprar mais, como forma de usar o tempo, gerar alívio às emoções desagradáveis, incertezas, medos, ou mesmo extravazá-las;
  3. Aumento de pensamentos e comportamentos obsessivos: como nosso contexto nos exige maior rigor com a higiene pessoal e de ambientes, muitas pessoas passam a ter comportamento exagerado de extrema preocupação com limpeza, organização, medo de contágio, medo de morte entre outros pensamentos obsessivos relacionados a danos e doenças;
  4. Elevação dos fatores de estresse: muitas pessoas percebem mais fatores estressores por conta desta restrição forçada de trânsito/liberdade e isto contribui para mudanças e oscilação de humor. Os principais fatores de estress são: tempo de isolamento indeterminado, medo de contágio, frustração, tédio, perda de rotina, redução da socialização presencial, diminuição do contato físico, medo de faltar suprimentos, perda de renda, incertezas;
  5. Negação: vemos nitidamente em pessoas que se negam a perceber a gravidade da situação, expondo-se ou expondo às pessoas em volta, sem tomar os devidos cuidados orientados pela ANVISA e Ministério da Saúde. Vemos, por exemplo, muitos casos de idosos querendo manter a rotina de antes, sair de casa, ignorando ser o grupo de risco, mais sensível ao contágio;
  6. Raiva: muitas pessoas apresentam esta emoção mais a flor da pele, evidenciando seja por comportamentos mais agressivos verbais, intelorência, impaciência, explosividade. A Raiva também revela uma não aceitação do contexto e uma luta consciente ou não para fazer algo para solucionar ou mesmo resgatar o status quo anterior a tudo isso. É uma enervia de luta, sobrevivência, proteção à flor da pele que se evidencia através da raiva de formas diversas;
  7. Tristeza: há pessoas que já se conectaram mais com esta emoção pelo sentimento de impotência, de não sentir seu poder de ação frente ao contexto, de não saber lidar com as incertezas, e por se conectarem com a dor do outro, a dor do mundo, de toda a humanidade.
  8. Oscilação de humor: muitas pessoas ao longo de um dia podem apresentar neste período de isolamento bastante oscilação de humor (alegria, tédio, raiva, tristeza, etc). Isso por conta do processo de mudança de rotina forçada, restrição de liberdade de trânsito, limitação do espaço e restrição da socialização. O fato é que o isolamento nos coloca de frente com várias porções nossas que no dia a dia por estarmos ocupados(as) não prestamos atenção e/ou nos distraímos de dores e medos que não queremos sentir, mas que agora temos tempo e espaço para acessar tudo isso;
  9. Mudanças no apetite: pela mudança de rotina, ficar em casa e muitas vezes não saber o que fazer para ocupar o tempo e seu mental, você pode sentir mais ou menos vontade de comer. É preciso ficar atento para não gerar problemas de saúde e mesmo tornar uma compulsão;
  10. Confusão mental: algumas pessoas podem apresentar este comportamento fruto da exposição demorada aos fatores estressores, mas o que vemos de mais imediato é a alta exposição a avalanche de notícias e fake News, tirando delas o senso de precisão x realidade, perda da confiança nas fontes de informação, confusão e em casos mais graves pode levar à perda de noção da realidade;
  11. Perda da noção de tempo: algumas pessoas com o passar dos dias podem se sentir perdidas em relação a dia da semana, horários, trocar turnos por conta da quebra de rotina e isolamento forçados. Isto demanda atenção para não gerar processos de desconexão mais graves e mesmo dissociativos;

ESTRATÉGIAS DE BEM ESTAR, PREVENÇÃO E PROMOÇÃO DE SAÚDE

Agora que já sabemos o que pode acontecer quando temos nossa socialização reduzida e somos submetidos a um período longo de isolamento social, como o que estamos vivendo de quarentena, podemos sim pensar em como trabalhar para manter nossa sanidade mental, nossa saúde psicoemocional. Sim é possível e devemos totalmente focar em estratégias de promoção de saúde e prevenção frente a todo este contexto incerto e estressor. Confira abaixo que podemos fazer para cuidar da sua saúde mental e psicoemocional neste contexto, para atravessar ele com menor impacto negativo possível:

  1. Pratique as estratégias de higienização pessoal e de ambientes, assim como de isolamento. FIQUE EM CASA;
  2. Resiliência: praticar a resiliência é trazer o olhar de curiosidade, do que se pode aprender com tudo isso que estamos vivendo, com todos os desafios diários físicos, psicoemocionais, materiais, etc. Ser resiliente é acolher o contexto que estamos vivendo, olhar para o que pode ser feito no momento, com os recursos disponíveis e promover a fé, a confiança de que tudo passará, aceitando o momento como eles se apresenta de forma ativa;
  3. Praticar atividade física: fazer exercícios em casa é muito importante para movimentar nosso corpo, trabalhar toda nossa química cerebral e ativar todos os processos fisiológicos. É uma atividade de alto impacto na promoção de bem estar e redução do estresse mental e físico, para combater a letargia que podemos sentir neste período de isolamento;
  4. Estruture uma nova rotina: procure manter seus horários de refeição, sono como antes, estabeleça um horário para seu trabalho remoto, estabeleça até 5 ações/tarefas para seu dia de modo a dar foco. Faça isso tanto para você como para seus familiares e filhos. Isto ajuda e muito a diminuir a sensação de incerteza, de estar perdido ou à deriva, de confusão mental com o passar dos dias de isolamento, por manter seu relógio biológico minimamente orientado;
  5. Restrinja o volume de informações: especialmente quanto ao que você assiste nos noticiários de tv, internet, redes sociais, e ao que recebe de parentes e amigos. Evite esta avalanche de noticias e escolha 1 canal oficial para informar-se apenas 1 vez ao dia. Isto ajuda a diminuir a ansiedade, a perda de confiança pela imprecisão das informações e a prevenir confusão mental e desconexão da realidade. Lembre-se que você se manter 24h ligado e informado não vai fazer você resolver ou sair da situação mais rapidamente. Só contribuirá para sua exposição a mais fatores estressores;
  6. Desligue o celular e todas as notificações de texto e sonoras: fazer isto contribui e muito para a redução de hiper vigilância, estado de alerta por esperar novas notícias, comunicações, e eleva sua presença e seu foco ao se concentrar no que você pode fazer no aqui e agora, sozinho ou com familiares;
  7. Conecte-se e consuma conteúdos positivos: leituras, vídeos, filmes, desenhos animados, músicas, podcasts, séries que nos façam desfrutar da melhor forma nosso tempo, com sentido, nos fazendo sentir que valeu a pena dedicar nosso tempo à aquela atividade e nos preencheu de sensações e informações boas, produtivas, tornando nossa experiência de isolamento mais leve. Foque em conteúdos que proporcione bem estar físico, mental, psicoemocional, espiritual;
  8. Pratique atividades manuais, artesanatos e arterapia: praticar atividades manuais é uma excelente estratégia de meditação ativa, ou seja, de fazer você direcionar seu tempo, energia e foco em algo produtivo e que faz você estar presente, com sua atenção focada, combatendo ansiedades, pensamentos negativos, pessimistas e fazendo bom uso do seu tempo de isolamento;
  9. Conecte-se!: o isolamento social forçado é apenas presencial, não total! Você pode e deve se manter conectado com familiares, amigos, utilizando plataformas e apps de vídeo (whatsapp, Skype, zoom, hangout), fazer lives nas redes sociais(instagram, facebook) para se conectar com as pessoas, compartilhar e receber algo de positivo desta experiência (boa música, orações, meditações, atividades físicas, dançar, mensagens reflexivas positivas, etc). Você pode e deve se manter conectado online para manter este senso de pertencimento e partilha com todos;
  10. Organização com sentido: se for para colocar em prática seu senso de limpeza e organização, então procure um motivo positivo para fazer, como mudar disposição de móveis e objetos de lugar, separar o que doar e o que descartar, dar novos sentidos aos objetivos ou mesmo customizá-los para novos usos. Enfim, faça isso como uma estratégia de promoção de bem estar, prazer, ressignificação, e não para potencializar seus medos e obsessões;
  11. Aprenda e desenvolva-se: aproveite este tempo para aprender novas técnicas, conhecimentos e desenvolver novas habilidades a partir de cursos onlines gratuitos ou não disponíveis pela internet. É uma estratégia também de bom uso do tempo, assim como manter seu cérebro em atividade e com foco;
  12. Peça ajuda: ao invés de se arriscar saindo para comprar o que precisa, peça ajuda a parentes e amigos; Este recado é especialmente para os idosos e grupo de risco mais sensível ao contágio. Se expor não vai resolver seu problema, só piorar. Quebre este automatismo de querer resolver tudo por conta própria e sozinho(a). Tem várias pessoas que estão aí para ajudar você, mas é preciso você querer e permitir-se se ajudado. Isto vale também para buscar ajuda profissional, por exemplo, buscar a psicoterapia online neste período como medida preventiva e de promoção de saúde mental e psicoemocional para atravessar este momento. Permita-se ser ajudado;
  13. Foque em atividades prazerosas: elas ajudam a promover maior bem estar, tornar mais leve seu período de isolamento, liberando hormônios do prazer no seus sistema;
  14. Ajude o próximo: isso você pode fazer de várias formas, seja se colocando disponível para comprar itens de necessidade pessoal e levar até sua porta, escutar o outro genuinamente, de forma empática e ativa, dar palavras de incentivo, manter-se emocionalmente e virtualmente conectado com ele(a) exercitando o apego, pertencimento, afeto, conexão de forma genuína, compartilhando de forma positiva esta temporada de quarentena. Ajudar o outro e ser ajudado gera um grande bem estar físico e psicológico;
  15. Seja criativo!: coloque sua criatividade em ação para pensar em diferentes atividades, criar brincadeiras, novos objetos, produzir artisticamente (escrever, compor, pintar, esculpir, encenar, etc) para fazer bom uso do seu tempo e promover muito bem estar físico e psicológico.

Espero que este texto possa ajudar você a atravessar de forma mais leve, presente, confiante, ativa este período de isolamento que a quarentena está nos impondo. Que você possa voltar seu olhar para o que há de positivo em tudo isso, aprendizados, oportunidades, criações, inovações, reflexões, conexões entre outros aspectos que podemos levar conosco para contar muitas histórias depois que tudo isso passar. Conte comigo e com todos à sua volta!

Para ampliar sua leitura sobre o assunto, confira os links abaixo:

https://cristianonabuco.blogosfera.uol.com.br/2020/03/24/os-impactos-psicologicos-da-quarentena-e-como-reduzi-lo/

http://www.periodicos.usp.br/reeusp/article/download/129784/126368

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-74092015000200006

https://visaemdebate.incqs.fiocruz.br/index.php/visaemdebate/article/view/266

 

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COACHING DE VIDA: Seja protagonista da sua vida

COACHING DE VIDA: Seja protagonista da sua vida

Vivenciar um processo de coaching de vida, ou life coaching, é uma experiência riquíssima de autoconhecimento, aprendizado, busca de melhoria contínua, mas especialmente, você é chamado a tornar-se protagonista da sua vida.

Ser protagonista da própria vida é exercer um papel ativo, assumir a responsabilidade sobre o que acontece na sua vida, autocomprometimento em ser, fazer, ter e realizar aquilo que se propõe, entendendo ser de sua responsabilidade os resultados, mudanças, transformações a serem realizados.

O coaching de vida provoca reflexões neste sentido, de provocar você empoderar-se de suas forças pessoais, habilidades, competências, valores, virtudes, ter um sentido claro para sua existência que o motive a entrar em ação e apropriar-se da sua própria vida.

Além disso,  as reflexões ao longo do coaching de vida leva você a tomar consciência que ser protagonista na vida é perceber e tomar para si as oportunidades de agir e promover contribuição social no seu raio de ação, no microcosmo, ou seja, fazendo a sua parte com as pessoas à sua volta, na sua comunidade, empresa, projeto, entendendo o seu papel ativo na transformação de vidas e do mundo.

No coaching de vida, são trabalhadas ferramentas de autoconhecimento sistêmico (Roda da Vida, Roda da Abundância, Ciclo da Realidade, etc), de análise de cenário interno e externo (SWOT), avaliação de perdas e ganhos, vantagens e desvantagens, fortalecimento e prática de princípios e estratégias de autocuidado, autorrespeito, autocompaixão, autocompromisso, autorresponsabilidade, poder de ação, sendo você o tempo todo convidado a avaliar o que está a seu alcance em suas mãos para promover a mudança que deseja na sua vida.

Pontos que você é convidado a tomar consciência e mudar de mentalidade e atitudes:

  • Vitimismo,
  • Autocritica e culpa excessivas e paralisantes,
  • Terceirização de responsabilidade da sua vida e de coisas que lhe acontece a outras pessoas à sua volta (familiares, chefias, colegas, empresas, amigos, comunidade, sociedade, etc),
  • Crenças limitantes sobre você mesmo, os outros e o mundo que desqualificam, minam o seu poder de ação ou faz você assumir uma postura completamente resignada da vida, entendendo como se não houvesse nada a ser feito.

Convido você a experimentar esta metodologia de ação e resultado e assumir o autocompromisso de ser protagonista da sua vida, das suas conquistas, das suas realizações e viver uma vida com sentido. Experimente e veja você mesmo o quanto vale a pena!

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